segunda-feira, setembro 11, 2006

11/9... nine eleven

Olhando bem para esta criança… pergunto-me, será que ela sabe o que é o Terrorismo? Será que este dia 11 de Setembro lhe dirá algo de especial?! Certamente que não, por certo que será apenas um dia mais sem ter o que comer. Ela, ao contrario de nós, não tem essa necessidade de olhar o tempo… o seu tempo não se mede pelo ponteiros dos relógios, não necessita de calendários… o seu tempo é moldado com o seu soluçar… é o seu choro que ponteia segundo a segundo a sua vida! Aquilo que pretende ser um despertar, um grito para acordar atempadamente… não passa de um segundo mais que acabou de morreu!
Terrorismo… esta criança sim, sabe o verdadeiro significado desta palavra… querem terror maior do que este, será que existe terror maior do que saber, antes mesmo de nascer, que a sua sentença de morte está já declarada?!
Digam o que disserem, façam o mediatismo que fizerem, a mim ninguém me fará distorcer a proporção das coisas… todos os dias… todas as horas… durante muitos minutos, houve, há e haverá crianças cujos rostos não conhecem a expressão… as feições de um sorriso… que será isto senão… terrorismo?!
Obviamente não vou politizar toda esta questão, nem quero com tudo isto menosprezar o sofrimento de todos que directa ou indirectamente foram atingidos por aquele acontecimento, mas… sejamos coerentes, acima de tudo… sejamos humanos… será que cada um de nós disponibilizou, nestes últimos 5 anos, a mesma solidariedade para com o que se vive em Africa?!
Terrorismo… olhem a foto… e sintam… a angustia desta criança… ela própria seria capaz de derrubar as torres das vaidades!
11 de Setembro de 2001… apenas um mimo… num mundo repleto de terrores.

Nota Final: já imaginaram quantas vidas poderiam salvar 1/10 do valor de construção da torre mais alta do mundo? (a ser construída no mesmo local) Pois… bem mais que três mil crianças… bem mais que três mil crianças… muito mais que três mil crianças… (quem sabe se… escrevendo o número… deixamos de uma vez por todas, olhar para aquela foto e ver mais que um mero número)

sábado, agosto 26, 2006

Sonhos...

Sonhos…
De todas as cores….
De cor nenhuma…
De intensos amores…
(De amores) escondidos na bruma…

Sonhos… e mais sonhos…

Com amor à saudade…
Com lágrimas secas…
Com temor à realidade…

Sonhos… sonhados outrora
Caminham longe… em nós…
Sonhos… de um passado chamado agora…

Mais sonhos… muitos mais sonhos…

Sonho acordado…
Os sonhos… que um dia comigo adormeceram.
De olhar fechado…
Vou além… dos segredos que morreram…
Pela liberdade terem alcançado.

(a sombra...sombreou por si)

sexta-feira, julho 21, 2006

«You are my sister»



Sei que a vida nos proporciona coisas extraordinárias, a uns mais do que outros, mas… posso garantir-te, a ti… que tu foste a maior… a melhor dádiva que a vida me poderia alguma vez ter dado! Sei que porventura a minha forma de ser nos foi afastando de certos pormenores… sei que muitas vezes pareço distante daquilo que mais te toca… sei que inúmeras vezes transpareço indiferença… mas quero que saibas que não há dia que não pense e me preocupe contigo… quero que saibas que tu és e sempre serás a razão que me faz continuar… prosseguir…
Não queiras fazer de mim, um modelo a seguir. Não vejas em mim exemplo para o que quer que seja… sou apenas e só teu irmão. Confia em ti, na tua própria força… não deixes que as tuas inseguranças se transformem numa âncora demasiadamente pesada, não deixes que elas impeçam a tua felicidade… não te deixes afogar no oceano de medos e fantasmas… acredita em ti… sempre… que, o teu irmão estará sempre do teu lado… para o que der e vier!
Muito ficou por dizer… comigo sempre fica… mas… isto é para ti mana… para ti que és… a mulher da minha vida!

«You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They're gonna come true»

(A sombra escutou-se na música de Antony and the Johnsons)

quinta-feira, julho 13, 2006

Brilho...


Transpiras serenidade…
És o sol que vai amadurecendo
Nas encruzilhadas perdidas da eternidade…

Tu que brilhas lá longe…
Mas que de tão perto me aquece…
Não me escapes, nessa metade que escurece…

Silêncio…

É noite… e ainda brilhas…
És presente… na saudade que procrias…

Como estás distante…
Sinto-o… em mim!

Não…
Já não sei se tua luz me cega,
Se, para outras margens, me desvias o olhar…
Se me cativa ou afasta essa tua entrega…
Que conseguiu, um dia… te inundar.

Se… se um dia ainda permanecer…
(na memoria do teu pensamento…)
Aquela luz que… à noite teus sonhos radiava…
(com as lembranças do mar… do vento…)
Talvez um dia, desejes uma nova luz esconder…
(não apenas… peito adentro…)
Talvez um dia, luz e sombra… sejam a mesma palavra!
(no dicionário que faz do teu coração… o centro!)

Há muito mais por onde permanecer…
Há muito pouco por onde escolher…
Há sempre tanta força no amanhecer…
Como esperança ao anoitecer…

Meu sol que brilhas ao luar…

Minha lua que dá vida ao dia…

Meu eu… que na luz faz a sombra…
Meu eu… que na sombra… tenta achar a luz!


(a sombra...sombreou aqui )

quinta-feira, junho 29, 2006

Frases (Des)feitas... II


«O (silêncio) é de ouro»
Seja qual for o metal precioso… o silêncio tem como de mais valioso… o condão de... despertar as palavras... que vão adormecendo no nosso coração.
(a sombra...sombreou aqui)

quarta-feira, junho 21, 2006

Tatuagens...


São lágrimas… são estas lágrimas que vão desenhando as tatuagens que me estão cravadas na pele…
Não, nada é visível… nem mesmo ao toque consegues traduzir a textura dos sentimentos escondidos…
Não, não penses ser capaz de sequer sentir! Uma lágrima derramada… uma tatuagem construída… fica para sempre silenciada, na sombra do sal evaporado…
Sim, aqui fica a leito húmido do desalento… mas o sal que a alma liberta… evapora-se no momento em que se encontra com as tatuagens anteriores…
Deste ciclo… de sal evaporado… que me de mim sai… através de mim se transforma… e a mim retorna… o vicio não reside neste vai e vem cronológico… o vicio... tem residência fixa… nos locais que a minha sombra ajuda a iluminar.
Tatuagem de uma lágrima derretida… faz do meu coração… pedra de gelo enfurecida… que bate… bate sem parar… até derreter, novamente… o gelo que não chega a solidificar.
(a sombra...sombreou aqui)

sábado, junho 17, 2006

Frases (Des)feitas...

A leste...
do paraíso...

está...
a esperança...
o norte...


do teu...
...sorriso!

segunda-feira, junho 05, 2006

[...]

É tempo…
Foi a hora…
Foi o presente de tormento...
É passado curto… na sua demora!
Distância…
Estou longe de mim!
Aqui me encontro na inconstância…
De um não… talvez… sim!
Foi-se o tempo… o Tempo…
É chegado momento… parti!
Rumo ao sabor deste vento…
Lado a lado com a Lua que me sorri.
Hoje… sou deserto
Sou a bruma igual para deuses contrários…
Sou mentira do errado mais correcto…
Que percorre a verdade em caminhos imaginários.
Contra a saudade…
Fecho-me nos meus olhos, assim… bem fechados…
Brinco ao faz de conta pra toda a eternidade…
E espero-me… no anonimato dos perdidos e achados.

sexta-feira, maio 19, 2006

Julguei...

Julguei… que fosses a suave maresia que envolve em orvalho as pétalas que o teu sorriso vai revelando aos poucos… mas… os teus olhos não são mais os raios de sol que outrora aqueciam as frescas manhãs marítimas…
Julguei… que poderias ser novamente a imagem reflectida na alma do meu olhar… mas não… és apenas neblina intensa que me conduz aos caminhos frios, duros e escorregadios das rochas encrostadas de algas…
Julguei… imensos cenários, mas… afinal… o mar aqui já não persiste… resta apenas a fina areia deste (agora) deserto! Sim… deserto… as ondas que o vento desenha na areia… não conseguem reavivar o teu sabor a mar… não existe mais esse mar… não existe mais... a presença do teu sal.

segunda-feira, maio 15, 2006

(:))...


De que me vale saber interpretar e ver certas coisas… se… não tiver quem me faça viajar?!

(a sombra...sombreou por si)

quinta-feira, maio 04, 2006

1 :)

Quantas vezes, um sorriso... não é mais que um refugio da moribunda dor...
Quantas vezes, um sorriso... é gesto, reflexo, esgar de sentimentos contorcidos no interior...
Quantas vezes, um sorriso... não é senão, meio de diversão para esconder um olhar comprometedor...
Quantas vezes, um sorriso... não vai além... da metáfora de um arco-íris sem cor....
Se um dia... o dia fosse a noite, veríamos claramente tanto daquilo que o dia teima em esconder...
Ele há sorrisos assim... que nos envolvem... nas invisíveis lagrimas que pensamos conter.

terça-feira, maio 02, 2006

365 Dias Após...

A uns dias atrás, este blog contou 365 dias de existência! Como é normal em muito dos blogs que conheço, é habitual fazer um post dedicado a este dia em particular! Convenhamos que eu não sou de dar grande valor a datas, principalmente aquelas que mais me dizem respeito, como sempre, foi mais um dia entre muitos outros.
Hoje resolvi olhar um pouco para trás e fazer um breve comentário a tudo aquilo que por aqui foi sendo escrito.
Vislumbrando daqui o passado, o presente não está assim tão diferente quanto isso… continuo a caminhar à base das entrelinhas, continuo revelando mais nos meus silêncios do que propriamente à luz de cada palavra que escrevo. Os dias em que há vontade de deixar aqui algo são largamente em maior quantidade do que aqueles que realmente me dedico a escrever na minha sombra!
E assim continua a minha sombra, vagueando ao som de um piano que toca muitas vezes, uma música diferente daquela que os dedos revelam. Aqui, não serão as teclas pretas ou brancas a colorir a música que se vai revelando, será sempre… a alma que vai colorindo a melodia, por mais transparentes que sejam as palavras, existe sempre uma cor… existe sempre a minha cor a revelar um possível tom (som) … existe sempre a minha sombra a moldar essa mesma cor…
Trezentos e sessenta e cinco dias depois…

terça-feira, abril 25, 2006

Liberdade...

Dia especial este para todos os Portugueses…
Só mesmo em Portugal… para a liberdade ter como símbolo… uma flor!
Com este vermelho cravo, cravo em mim... todo o aroma a Liberdade…
Liberdade que voa e voa… de flor em flor… de mão em mão… no peito de cada um… bem junto ao coração.
Não deixemos que a Liberdade possa ter a liberdade de condicionar os direitos que cada um de nós tem… não deixemos que esta liberdade actual, nos leve a esquecer os segredos, os amores, as vidas, as lágrimas, as saudades, os sorrisos, o orgulho, os gritos… que neste Cravo Vermelho estão incorporadas.
Eu… que não tive o prazer de viver o 25 de Abril de 1974, presto aqui a minha homenagem a todos aqueles que tiveram a coragem de lutar pela liberdade colectiva, pelos seus ideais.
Aos muitos que, como eu, não viveram este momento, não esqueçam de valorizar ainda mais a liberdade que temos.
Hum… sabe tão bem sentir este arrepio no corpo quando se escuta… «Grândola, vila morena»

segunda-feira, abril 17, 2006

Shhhhh...

Fecha os olhos…
É noite… mas mais escura está a noite em mim…
No gesto delicado, levas tua mão ao rosto…
Como se uma pena flutuasse sobre tua pele jasmim…
Fechas a alma…
É dia… mas de claridade ausente…
Todo o brilho ficou retido na tua calma…
Toda a luz… claudicou nesse teu passado presente!
Fechas o coração…
Não és dia… não és noite… és intemporal…
És o tempo que não passa à acção…
És acção… sem gesto corporal.

(a sombra...sombreou aqui)

domingo, março 12, 2006

Amor… feito pedra!

Um dia… houve alguém… que de tanto amar o mar… lhe voltou costas…
A música do seu olhar… ficou assim… feitiço de pedra…
Os braços que antes estendias, subiram aos céus… pedindo clemência… ajuda.
O mar ao longe… continua vigilante… tomando conta de ti…
Mesmo que de costas continues…
Mesmo que o consideres apenas e só uma enorme massa de sal…
Ele continuará a ser a tua música favorita…
As suas ondas… continuam sendo os teus sorrisos preferidos…
A maresia… o teu perfume de sempre…
Sim… eu sei… eu sei o porquê desse teu rosto de sofrimento…
Não… não é nada fácil querer imensamente estar longe…
Continuamente sentir tudo isso… assim ficaste… estátua de granito…
Cada onda (sorriso) que se esbate… cada gaivota que avistas no ar, é ciúme de morte para ti… cada murmúrio que ele entoa… é tua musica (teu sofrimento) preferida… cada pedaço daquele amor… que tanto queria esquecer… fez de ti… estátua fria, imóvel, dura… neste canto perdida…
- Sabes o segredo que induzes?! Querias tanto esquecer aquele amor… que acabaste por te esquecer de ti. Cada lágrima que tua alma verteu… por não sentir o coração pulsar… cristalizou… até neste estado te transformar.

(a sombra...sombreou por si)

terça-feira, março 07, 2006

[...]

Tenho tanto dentro de mim…
Que só o vazio consegue libertar…
Tenho aqui, tanto em mim…
Que só o sombrio consegue atear…
Distante mar… que sorris para o meu fim…
Minhas lágrimas… o corpo podem salgar…
Minhas sombras… a mente podem enclausurar…
Mas a alma, essa… continua livre em asas de cetim…
Agora…
Agora só quero mesmo… caminhar…
Caminhar…
Sobre a luz dos sorrisos que nas dunas tanto gostas de desenhar…

(a sombra...sombreou em si)

domingo, fevereiro 19, 2006

[...]


Hoje, apetecia-me falar de amor…
Há dias assim… procuram-se histórias no interior…
Buscar as palavras mais belas…
Pintar a loucura, a paixão, colorir negras telas…
Hoje, como ontem… apetecia-me conversar…
Dizer por dizer… coisas sem ninguém escutar…
Ontem como amanhã… o silêncio que invade o coração…
Persistirá… presente… na ausência dessa invasão.
De tempos a tempos… escuto… sinto…
Este vazio… que reanima, depois de extinto…
Que me preenche… com inúmeros nadas…
Que me deixa, livremente de mãos atadas.
(Luz ao fundo…) ávido por um olhar…
Entro em túnel com vista para… amar…
Às paredes… meus sonhos vão segredando…
Os medos… os pesadelos… que vou guardando…
Ontem, como hoje… nasci de novo…
Hoje… como amanhã… morro…
Reencarno agora, novamente em mim…
E parto… para futuro com idêntico fim…
De mãos livremente atadas…
Repito-me…
De mãos livremente atadas…
Há sempre uma liberdade…
Há sempre uma verdade…
Há sempre… uma eterna saudade…
Para dizer… (o que disse na intimidade)

(a sombra...sombreou aqui)

segunda-feira, janeiro 23, 2006

(T)Eu...



Estou…
Estavas…
Serei eu este que sou…
Terei eu a alma que ancoravas…
Fui…
Vieste…
Fiquei longe de ti (isso se conclui…)
Escutando música de coração agreste…
Imagino…
Imaginavas…
Que o vento, será nosso hino…
Que o luar, seria reflexo com que me torturavas…
Senti…
Sente…
Que a sombra «daquela» árvore chora por ti…
Que o grito da coruja, tua sabedoria consente…
Lembro…
Lembrarias…
Das incandescentes folhas do frio Novembro…
Do calor da fogueira que aqui dentro acendias...
Penso…
Pensarás…
No que seria sem este nevoeiro intenso…
No que poderia ser, sem a dúvida voraz…
Sorrio…
Sorriste…
Do passado… da nascente deste rio…
Do leito… da foz futura que já não existe…
A preto e branco…
Com vivas cores a temperar….
Horizonte é aquele mesmo recanto…
Que nos leva, onde tudo volta a iniciar.
Eu vi…
Tu viste?!

(a sombra...sombreou aqui)

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Ves(z)...?!

(a sombra... sombreou aqui)

Era uma vez…
Uma vez que nunca chegou a ser…
Que por cansaço de tanto querer…
Morreu, antes mesmo de nascer.
Foi uma vez…
Tantas vezes numa só…
Presente, num passado perdido no pó…
Sem início, sem fim… numa música sem dó.
A força das minhas incógnitas…
Uma soma de vezes dividi…
O resto… no infinito descobri…
Refém da solução que sempre conheci.
Às vezes…
Caminho… par a par com a minha sombra…
Em rumo impar de tamanha ligação…
Seguimos diferentes, almejando a perdição…
No destino certo que evoca a razão.
Às vezes… (muitas vezes)
Perdemo-nos…
Eu da sombra…
A sombra de mim…
Por entre a vida (cor) deste jardim…
Fica apenas o trilho castrado (cinza) do (no) fim…

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Vai...


Vem...
Anda... por essa estrada a fora...
Vem descobrir os segredos que se escondem à luz do dia...
Anda... segue este teu rumo... fora de ti... sai... salta... sem medo...
Deixa... deixa-te descarrilhar... neste horizonte infinito...
Não... não desistas de descobrir o recife, a vida que se esconde no mar do teu coração...
Escuta... consegues escutar lá ao longe aquele mudo grito?
Vá... desperta... grita tu também e escuta o real eco da tua alma...
Vibra... sente a intensidade da maresia... fecha os olhos...
Vai... o vento te guiará... pode parecer que derivas, mas... vais no rumo certo...
Sim... eu sei... és muito pequeno aqui... sim... tudo é imenso comparado contigo...
Mas... será sempre o volume do que sentes que fará de ti enorme... será esse o teu alimento...
Não... não permitas que os medos se apoderem de ti... deixa-te, uma única vez que seja... desliga-te...
O caminho é ondulado... sim, ha obstaculos... mas segredos ha que só depois dessas ondas ultrapassadas vais descobrir...
Vá... vai... deixa-te ir... não queiras ser tu a tempestade... quando a calmaria é o que sentes...
Sabes... tu sabes... que a dificuldade não está no sentir... liberta-te... e por uma única vez... deixa a tua alma voar... mar adentro!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Re(Pro)gresso...

Regressei! Durante uns tempos andei por aí… e este não foi um dos meus destinos… não estava longe, fui apenas até ali… ao infinito, e por lá me deixei ficar na sombra da minha própria sombra.
Progredi em torno deste regresso… vinculei-me à minha ausência e rumei… por caminhos travessos a este ponto de passagem. Na verdade, não sei bem se nesta encruzilhada de caminhos, alguma vez alguém se deixou atracar, mas por certo este também não será o porto mais seguro para o descanso do «marinheiro», aqui o tempo, é uma incerteza mais que certa. Num instante apenas, a calmaria que invade este espaço é absorvida pelas nuvens negras das tempestades… nunca em lado algum, tamanha calmaria provocou tanto desnorte.
Na minha sombra, a deriva é muito provavelmente alimentada pela (c)alma… é com ela que vou a espaços encontrando-me… derivando-me à deriva(da), chegou à primitiva razão… que não a matemática, mas à lógica emociona que os sentidos nos contradizem… e assim, (a)visto-me nos horizontes… uns dias primaveris, outros dias tempestuosos... mas, sempre em busca, lado a lado com ela própria, a minha sombra… que me persegue… a sombra que me foge… a sombra que em mim vai nascer… ate mesmo, as sombras que comigo vão morrer...
As imagens que nos vão invadindo o dia a dia interior, têm muito de estranho e cativante, conseguimos irradiar luz suficientemente forte e capaz… de nos cegar. Com um simples pestanejar… as cores rapidamente mudam… vêem-se facilmente as diferenças e as semelhanças… mas, muitas vezes, o segredo maior reside... na percepção do que na realidade, torna a diferença… diferente e a semelhança… semelhante!
Apesar de todos ser-mos muito diferentes uns dos outros… somos bem mais parecidos do que imaginamos! Mas…isso pouco importa, o que interessa mesmo é ter a alma suficientemente preenchida (mesmo com um imenso nada), para conseguirmos não só colorir as imagens… como também… cria-las.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Se(n)tembro…

Verde… e mais verde… e mais verde ainda… de várias tonalidades… texturas… tudo aqui parece verde… sendo precisamente aqui… neste imenso verde, que eu deixo muito das minhas ideias amadurecer!
Esta é a visão que meus olhos captam… sim está é a minha janela, é aqui que meu ser reside; estou do lado de cá… dentro destas quatro paredes, no meu imaginário… a realidade de mim faz parte do interior externo que me envolve.
Verde… imenso verde… sinto que se fechasse agora mesmo as janelas do meu olhar, a imagem continuaria a perdurar dentro de mim. Cada vez mais sei e sinto, que é impossível apagar de nós… aquilo que é intrínseco à nossa existência… aquilo que nos faz realmente sentir que temos alma.
E assim… por esse mesmo motivo, as recordações deste meu pequeno mundo quadrangular, são precisamente aquelas… que residem (em mim) fora de mim. Por certo estas paredes sabem muito a meu respeito, mas… não me sinto exclusivo deste mundo mais físico… estou sim, mesmo que por fora, dentro daquele mundo.
É Setembro… sente-se o mês aqui… este é o mundo que habita em mim neste preciso espaço de tempo! Apesar de todo aquele verde, que as ultimas chuvas ajudara a reavivar, a coloração dentro em breve não será mais a mesma… toda a luz que nos surge… reluz unicamente à sombra dos nossos olhos… interiormente é sentido desde já o sabor a despedida, cl(amada) pelo vento… a mudança vai chegando até nós… não «em pezinhos de lã» mas… lançando desde as nuvens… uns pós mágicos… capazes de alterar a cor de tudo… desde o céu… passando pelos rios… depositando-se em cada partícula verde, transformando assim a cor… a personalidade… as motivações de tudo e todos.
Mas… é Setembro… e a magia do Outono ainda vai demorar um pouco a surgir… até lá… faço do mundo verde… o arco-íris que une duas margens bem distantes… coloridas por tons cinzentos… seja do/a cinza do espaço físico onde a alma reside… seja até mesmo da/o cinza que essa mesma alma… levanta sob nós.
Jardim de flores coloridas, não transformes em cinza(s) as pétalas quem em mim desmaiam!

sábado, agosto 27, 2005

Um Presente…

Hoje resolvi-me a reavivar certas memorias… de tempos não muito distantes mas de saudades crescentes. Sim, as saudades não se alimentam exclusivamente do passado, por vezes sentimos saudades do presente… não sendo também de excluir esse mesmo sentimento para com o futuro… estamos tantas vezes tão distante de nós… do nosso passado, do nosso presente, viajamos tão longe e tão depressa, que é natural sentir saudades de algo vivido em realidades abstractas.
Percorri então caminhos passados, por mim muitas vezes calcorreados, fui revivendo o passado, recordando as minhas visitas habituais... sempre tão diferentes, sempre com novas descobertas. É engraçado como o chão que piso é o mesmo na sua forma, chego a pensar que, aqui, a erosão do tempo apenas renova e rejuvenesce o solo em que navego.
Estranhamente sinto uma enorme e estranha sensação de deriva… caminhos que conheço tão bem… mas sempre que neles minha alma percorre, parece que caminho à deriva por rumos conscientemente traçados… sinto-me guiado pelo leito da floresta… sinto-me como peixe na água… que não sabe propriamente nadar, mas que se sente mais que nunca em casa. Inúmeros pensamentos e emoções já eu deixei por aqui… quem sabe se não será por isso que tudo me parece estranhamente familiar… quem sabe se não é por isso que, aos meus olhos, a erosão não existe… conheço demasiadamente bem tudo aquilo que, as mutações existentes não são mais que meras névoas que o chão erradia, mas que o olhar consegue filtrar e desvanecer!
Faço uma pausa… deixo-me «atracar» num porto mais seguro… deixo-me permanecer aqui, mesmo debaixo desta árvore, fazendo dela o cais onde as amarras da alma se deixa repousar… sento-me primeiramente… e como uma folha que agora cai da arvore… deixo meu tronco fazer-se passar por essa folha… seguindo ate ao chão pintado de verde.
É assim que avisto o céu… verde… ponteado aqui e além com pequenos lagos azuis… Sabem, escutando com atenção… acho que este vento que por aqui passa… vem do mar… mas, afinal o vento não será tão imenso quanto o mar? Assim como uma onda… que percorre os oceanos e esmorece em várias e distantes costas… também o vento incorpora em si enormes distancias… assim como uma onda é uma massa gigante de água (água que já foi ar) … o vento não será mais que uma massa de ar (ar que já foi água) … que vai «varrendo» a alma de todos os seres. Deve ser por isso que, imensas vezes, quando sentimos o vento a acariciar as folhas das árvores, o som produzido se confunde… com o som do mar.
Estou aqui… longe de tudo e de todos… atento à dança das folhas ao sabor da melodia que o vento possui… sinto que se fechasse agora mesmo os olhos… e visse unicamente os sons, por certo o som do ranger da árvore, seria a visão de uma pobre embarcação em pleno oceano… mas… não… não, tudo o que agora mesmo a minha alma avista é este verde… sim, hoje não me apetece ver mais longe… hoje fico por aqui mesmo…
Já sentia saudades de ver o presente… de sentir apenas o agora, sem fazer disso uma ponte para a margem do passado ou do futuro… hoje, resolvi dar um presente a mim mesmo… esse presente era…o presente! Tirei o embrulho feito de folhas verdes… e de lá saiu, aquilo que os meus olhos vêem… quanto ao restante… ficaram apenas em mim… e em cada uma destas folhas!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Entre Sol e Mar...

Porque será que o Sol tem imagem mais adorada, quando resolve-se a iluminar outras paragens?!! Porque será na despedida que Ele deixa-nos assim, cheios de vontade em manter a sua permanência?! Não deixa de parecer estranho que esse mesmo Sol, nos aqueça mais, precisamente no momento em que ele é menos quente… no momento em que parte…
Imensas vezes ficamos, parados no tempo assistindo o «afundar» do Sol no mar que nos inunda o olhar… ali estamos, inertes mas contemplando com todos os sentidos tudo o que tamanha visão nos transmite! Dá vontade mesmo de seguir pela estrada laranja que se desenha na ondulação do mar… mas, como em muitas circunstâncias, o melhor mesmo é não interferir, deixar desenrolar o rumo natural das coisas, aguardando pelo dia de amanha, para um novo e diferente momento, igualmente sentirmos!
É também assim que muito da nossa vida se vai desenrolando… por certo que existem momentos de fortes emoções e vibrações, há dias mesmo que para sempre iremos recordar, há por certos inúmeras gargalhadas que ficaram na retina dos nossos ouvidos… há imagens de forte emoção que vamos sempre rever na tela que reside na alma… há sempre palavras, ilusões, verdades, frustrações, alianças, afastamentos, abraços, sorrisos, olhares... há um infindável rol de vivências muito fortes, no entanto vamos também chegando à conclusão que no dia a dia, seja esse dia o mais movimentado ou o mais monótono de sempre, temos momentos e rotinas admiráveis.
Sei que não poderemos ser o Sol e tão pouco o Mar… mas, poderemos em grande parte ser aquele Pássaro que voa sobre as águas do Mar e lado a lado com o Sol. Podemos não ter a dimensão que o Sol e o Mar têm para todo o mundo, mas por certo que teremos a dimensão suficiente para que as asas que nos fazem voar (viver) consigam abarcar aquelas pessoas que existem no nosso mundo! Podemos não ter o alcance do Sol e do Mar… mas se calhar até nem será esse o nosso propósito… afinal de contas… dois mundos tão imensos e poderosos… que nem um no outro conseguem tocar… sonham que se encontram, que se tocam, que mergulham um no outro… que residem no mesmo fundo espaço universal, mas… na verdade… só nós… poderemos colocar em prática o sonho destes dois gigantes… só nós podemos e temos a capacidade de «tocar» no nosso próprio mundo e nas pessoas que nele habitam… só nós poderemos mesmo mergulhar nas memorias, vivência, alegrias, lágrimas, sorrisos do nosso mundo!
Afinal… no meio de tanto mar e sol… o ser maior porventura será… aquele que meio invisível vai vivendo. É tão fácil pensar pequeno… quando apenas o enorme conseguimos ver!
Eu… por cá continuarei… invisível em vários mundos… mas… com asas suficientes para abraçar os sonhos… que nas realidades de luz (sol) e de sal (mar) vão mergulhando!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Nada...


Estava para aqui a pensar... e... nada!

sábado, julho 30, 2005

Procuro-me...



Procuro-me!

Procuro-me pelas florestas,
Mas lá não me encontrei
Busco-me nas finas arestas
Das lágrimas que derramei…

Procuro-me pelos mares…
Onda a onda… me aguardo,
Voando como gaivota pelos ares
À deriva em rumo salgado.

Procuro-me no som dos breves olhares…
Acerco-me da lua com distantes aromas…
Não, aqui estás… sem estares
Sim, «estás aqui» … mas entre comas.

Procuro-me… procurando-me…
Achando, que me acho
Acho que vou encontrando-me…
Em locais perdidos onde me encaixo!

Vou-me… e aqui me fico
Pertenço a este Eu, que não eu
Fico-me… e daqui me dissipo,
Para outro mundo, que não será este o meu.

Procuro-me e não me acho…
Onde estou eu?!

quinta-feira, julho 21, 2005

É Fogo, é fogo…

Em cinco sentido podemos resumir esta estranha calamidade que ano após ano, lá prossegue a sua ritual busca pelo negro!
Vislumbro… ao longe, vagas de fogo erguendo-se até ao cimo das montanha, fazendo do arvoredo uma mera escadaria de acesso ao topo de tudo que é montanha, e não cedendo, continua o forte caudal de fogo ritmado com a música que o vento em si transporta. Vemos, continuamos a ver, com um misto de incapacidade e indiferença, emaranhado pelo aperto que nos envolve o coração, vemos e continuamos a seguir o rumo deste rio de fogo.
Escuto… os estalidos suaves do fogo a devorar, com prazer, a mais pequena das faúlhas… escutamos também, a som voraz do fogo que inunda e engole de uma só vez fauna e flora… escutamos o velho passo de dança, umas vezes calmo, outras vezes mais revolto, mas... lá prossegue, o seu fado, com cores de paixão, fazendo um tango assassino com o seu par de destino... o vento. Pelo meio… há ainda o burburinho, as sirenes dos soldados da paz… dão voz ao grito de guerra para mais uma batalha… e as gentes, as gentes, materializado pelas vozes agudas femininas, fazem transparecer com gritos, gemidos e desmaios de silêncios a expressão de medo que lhes inunda a alma!
Cheiro… cheiro o calor… é possível mesmo sentir o aroma de prazer que o fogo tem… é possível rever imagens, com o simples cheiro da névoa de fumo que vai invadindo as fronteiras inatingíveis do fogo…mas também aqui ele é um vencedor, também nos locais mais distantes do epicentro, o fogo faz-se notar, pode estar muito longe de nós, mas o aroma que existe no ar, faz-nos perceber que ele, ele está bem próximo de nós, entrado em nós, camuflado no oxigénio que respiramos e livremente, circular em nós!
Estas a ver este aroma? Pois bem, cheira a olhos verdes que outrora foram tocados pelos ecos de azuis oceânicos.
Toco… e toco mesmo partes de fogo… é quente, sem que fisicamente lhe toquemos, diz-nos ao ouvido o tacto, que… aqui há fogo! Será talvez por isso que a forma do fogo, é ainda para nós algo moldável, incontrolável e indefinida… não podemos tocar-lhe… não podemos criar uma única imagem, é sempre mutável… todavia, sem que haja de facto toque… sentimos na pele a sua mensagem.
Sabor… a que saberá o fogo… qual o seu paladar… provavelmente seja de sabor a cinza… existe o travo amargo ao ver um cenário deste, existe sempre um paladar nauseado pela devassidão causada. Todavia, não será de estranhar se existir também, o doce sabor da liberdade… o doce sabor a gratidão por alguém, num determinado local e momento, criar ali mesmo uma nova família… um fogo, que se vai ramificando, uma nova arvore genealógica que busca a sucessão… uma arvore de fogo que se alimenta de outras arvores… qual canibalismos entre tribos…
Não deixa de ser curioso saber que, foi este mesmo fogo, que fez de nós – Humanos – aquilo que em grande parte hoje somos!
É fogo… é fogo… é fumo e mais fumo… ali, na floresta, as lágrimas não chegam sequer ao solo… o calor logo as transforma em gás… em nuvem de fumo… em lágrimas que lavam a própria cinza do crematório florestal. Porque não, sentir com todos os sentidos… o vale de lágrimas que inundam os nossos céus… certamente que, algo em nós vai provocar. Eu não esqueço que, há dias, passava todos os dias por uma estrada com companhias deliciosas, tinha como cenário todos os sons e sorrisos que uma floresta me poderia dar… hoje, apenas numa margem persiste o verde…a floresta! Assim como para um rio ambas as margens são fundamentais, na floresta acontece o mesmo… aquela rua que pelo meio dela passava… fazia com que as duas margem fossem o início e o fim de um só sorriso… ora, uma vez aniquilado o princípio, deixa por si só de haver fim… e se o fim, também ele desaparecer, deixa de fazer sentido… o princípio do fim continuar a viver! (Inicio - Os sorrisos não existem pela metade - Fim)

quinta-feira, julho 07, 2005

Ruas Com Sentidos…


Cidade…correria… pessoas seguindo seu rumo, procurando algum destino que nem elas próprias têm presente… seguem rumos e roteiros por ruas conhecidas e mais que revisitadas… onde um curioso pormenor de uma varanda nos passa despercebido, o sempre um painel de azulejos que ficou invisível à nossa passagem, há sempre uma pomba citadina buscando o seu alimento diário a intrometer-se nas vias rápidas dos arruamentos pedonais… há sempre um papel, um plástico que ao sabor do vento baila e nos contorna, como tentando acordar do nosso sono acordado… mas não, prosseguimos nossa direcção, imparáveis... adormecidos no ambiente… respirando os fumos negros sem que uma haja uma qualquer desobediência corporal…e caminhamos… e caminhamos... uns cabisbaixo de olhar preso no chão… talvez não querendo olhar de frente aquele mesmo cenário diário… procurando no chão, não a fuga dos sentimentos mais… uma almofada de paixão… talvez seja nesse mesmo granito… que o grito humano seja verdadeiramente escutado… outros há que prosseguem de olhar levantado… olhando em frente e respondendo aos caprichos hormonais… mudando de trajectória visual apenas quando uma corrente mais forte nos passa e nos cativa… prendendo até ao limite máximo dos olhos… ate onde o pescoço possa suportar…ate onde o social possa não condenar…
Embora posturas diferentes… algo comum circula… os pensamentos perdidos… que vão atracando nos mais diversos chamamentos… prosseguem independentes da nossa vida mais real… os momentos de pausa entre obrigações e responsabilidades… são vividos de forma independentes… alias, deve ser por isso…quando duas pessoas têm a mesma rota… esboçam quase sempre um sorriso, é quase impossível controlar e evitar… imensas vezes sentimos que alguém esta em rota de colisão com o nosso trajecto… e então, um passo mais para a direita, um passo mais para a esquerda…uma ligeira pausa ou redução do passo… subtilmente tentamos que o encontro não aconteça… mas, quantas vezes é inevitável…quantas vezes há aquele desviar para o mesmo local…como que fugindo de encontro um ao outro… e ai…ai sim... há aquele sorriso… o pedido de desculpas envergonhado… mas logo o sorriso se esquiva e retomamos novamente nosso rumo e nosso semblante! Mas… porquê? Porque nossos rumos vão de encontro com estranhos… será que os pensamentos…a nossa outra personalidade que caminha ao nosso lado, foi mais forte e nos levou de encontro a alguém cujos pensamentos coincidiam… não será esse mesmo sorriso uma forma tribal inter-pensamento para se saudar… não será o sorriso… um suspiro… uma única forma de contacto entre pensamentos… pensamentos que nunca se encontram… mas que apenas se avistam à luz do sorriso…
Enfim… muitas duvidas… algumas fantasias… fundamentadas pela realidade dos sonhos de cada um… mas… o que realmente passa nos corredores de corpos humanos nas nossas cidades… isso… acho que muito dificilmente se compreenderá!
Estão a ver a rua? Está… repleta de … sentidos e emoções… as pessoas essas… não as vejo… estão ausentes… vejo-as à minha frente…ausentes!
Tudo isto aconteceu porque… tive uma espera não prevista… a loja do centro da cidade abria apenas as 14:30 e não as 14:00 como erradamente pensei… e por isso divaguei!
E uma vez mais, surge na minha mente, um dos meus conceitos mais misteriosos… tempo atempadamente incerto, que nos desvias (guias) pelos errados caminhos do correcto!

terça-feira, junho 21, 2005

Sobre o Azul, D(e)ivagar...

Estou Cansado...
Ainda tenho uma hora de trabalho pela frente e sinto-me mentalmente cansado, sente-se mesmo na pele que, por mais vontade que tenha de pensar, a cabeça apenas sente um enorme vazio!
Tento abstrair-me de tudo... o radio já nem o escuto... apenas o ruído do ar condicionado faz-me companhia, não sei bem porquê; talvez seja uma forma de me transportar para outros ambientes... imaginando-me então num outro mundo.
O ruído anterior...passou agora a som... um som harmonioso... fui transportado para o interior de uma floresta imensa... escuta-se apenas o som das conversas entre as arvores.. não se percebe bem o q falam elas, mas deve ser mais um daqueles momentos em que estamos rodeados por pessoas e assuntos...e aos poucos vamos ficando cada vez mais distantes de tudo e todos... ficando as palavras.... como meros murmúrios imperceptíveis. É provável que esteja nesse estado... longe deste ambiente diário... e por dentro de um novo cenário... mas dentro dele, também não me sinto presente, muito pelo contrario... há uma misto de realidade e imaginário que me afasta e me aproxima de nada... estando envolvido pelo tudo... mas de significados nulos!
Um chamamento de uma colega de trabalho desperta-me agora sim para a realidade, foi mais um daqueles momentos de conversa tipicamente laboral ... as vezes até estranho mesmo, onde vou eu buscar estes conhecimentos?! Não deixa de ser curioso como.... mesmo sem querer, mesmo sem muito esforço fazer... os conhecimentos estão presentes em nós... vindo de um local que o nós próprios desconhecemos! Mas, também não quero lá muito saber... admito que sempre fui um pouco preguiçoso para com as lides mais ligadas ao trabalho... apenas o sentido de responsabilidade parece-me ser o causador destas sensações.
Aparte disto... lá me remeti um pouco mais aos estranhos pensamentos anteriores... acho q no entretanto, perdi-me... já não sei bem onde estou... hummm... olho fixamente para o nada... aquele típico olhar de parvo... que buscamos algo q não sabemos e num local que desconhecemos.... mas... azul... sim, o chão aqui é azul... não se trata sequer de uma porcelana, mas sim uma alcatifa em flopex (nem sei bem o q isto quer dizer...mas, também não deve interessar a ninguém!). Retive-me então no «Azul»... e...deixei-me levar... fui novamente parar à imagem anterior... lá estava eu novamente, em volta da conversa das arvores... aquilo que para nós não é mais que o normal som do movimento das folhas e ramos das arvores provocado pelo vento... ali, naquele instante, parecia-me sim, um dialogo... umas vezes calmo, outras vezes mais turbulento, mas um dialogo entre elas... Que será que comentavam elas? Será que deram pela minha presença? Foi despindo-me de sensações e vestindo-me de folhas ...sim, também desejava ser uma arvore, também eu desejei saber o que elas falavam, também eu respondi ao capricho da curiosidade, mas... quem uma vez que fosse, não desejou ser uma arvore... por muito ou pouco tempo...mas, o suficiente para ver e sentir pelo seu prisma.
E ali estava eu... ao alto...sentindo a caricia do vento... hummmm... como não podem elas falar... o vento transporta imensos ecos...vozes distantes... os humanos enviam mensagens escritas dentro de garrafas para o mar... as arvores, porventura... enviam os seus ecos ao sabor das dos ventos... Todavia, naquele momento não senti que aquilo que discutiam era algo distante, sentia-se na raiz que era algo bem mais importante... a seiva que pelo interior corre... vai numa velocidade alterada... o vento até esta calmo, daí as mensagens recebidas de outras latitudes não serão alvo de conversas... contrariamente ao habitual, desta vez vinha do interior da terra o estado alterado da conversa... não teria sido nenhum arrufo entre placas tectónicas... a terra não estremecera! Que seria então... mesmo eu entrando na casca (pele) de uma arvore, nem mesmo assim eu conseguia descortinar o que realmente se passava...ate que... se fez luz... sim, literalmente luz! Na verdade aquilo que para nós é sombra...provocada pelo pela luz solar e lunar... na realidade é uma luz própria... uma nova fonte de alimentação ao ser humano... por certo mais que uma vez já nos retivemos debaixo de sua sombra... pois... será que essa sombra não será sim a luz própria de uma arvore? Será que o encantamento dessa luz, não reside na sua temperatura e capacidade de abrigo? Será que a sombra... provocada por uma outra luz, não é sim... uma luz própria... única... e, ate ver, incompreendida?!
À medida que a seiva percorria cada centímetros de minha amplitude, ia-me cada vez mais incorporando a sua personalidade... dando assim, azo as minhas interpretações...Sim... a sombra... é também uma luz... sim! Pode parecer algo contraditório, mas no essencial se luz é vida... é temperatura... e novos horizontes... porque motivo, não poderia ser também considerado como luz... aquela sombra... que tantos nós... tantas vezes... procuramos, buscamos, habitamos e nos encontramos?!
Se é imaginação minha ou não... não sei... mas, ate encontro fundamentos minimamente lógicos... mas, se é para dar largas à imaginação... sé é para levar avante os nossos sonhos...as nossas realidade, então... porque não fazer do chão de uma floresta, um azul imenso... porque não imaginar que a clorofila da erva é azul e não verde... uma imensidão de folhas que caem no azul do oceano, ou então que permanecem em queda livre pelo azul do céu... em busca do locar ideal para aportar... e melhor ainda... nesse azul imenso... poderíamos pelo oceano caminhar... pelos céus nadar... e pelo chão... flutuar!!
Era bom que assim fosse... mas, bom por si já foi este meu olhar sobre... o chão azul do meu local de trabalho... agora... há que regressar à realidade... até qualquer dia...

quinta-feira, junho 16, 2005

[...]


Sopro…
Sopro de vento cansado
Em minha alma reserva descanso
Não fica muito, logo segue desalmado
Sonhando com melhor recanto.
Alma…
Alma pelo vento copulada
Nas alquimias das poeiras
Faz de mim página voltada
Na historia de minhas teias.
História…
Historia pelo vento contagiado
Em nuvens sísmicas que ruge
Caminho semeando rumo embriagado
Na esperança de colher o grito que urge
Grito…
Grito pelo vento arrasador
Tu que estas longe, vem a mim
Desagua em sorriso de plena dor
E limpa de vez este trilho sem fim.
Trilho…
Trilho construído em passos de vento
Com contornos de árvores solitárias
Juntos, fazem de uma breve noite de relento
Forte sorriso de emoções imaginarias.
Emoção…
Emoção de ventos passados
Fazem de seus sábios percursos
Viva voz nos lábios marcados
No destino que urge de recursos.
Vento passado,
Embrulhado no presente
Filtra o puro ar, transpirado
Nas gotas da sede ausente.
Vento presente,
Com invisível parecença
Apenas nossa sombra ausente
Confisca o paladar de tua crença
Vento Futuro,
Com olhares de rezas anunciadas
Encaminhas o tempo para escuro
Final ansiado, das lágrimas veladas.