
Seja qual for o metal precioso… o silêncio tem como de mais valioso… o condão de... despertar as palavras... que vão adormecendo no nosso coração.


Fecha os olhos…
Um dia… houve alguém… que de tanto amar o mar… lhe voltou costas…
Tenho tanto dentro de mim…

(a sombra... sombreou aqui)
Verde… e mais verde… e mais verde ainda… de várias tonalidades… texturas… tudo aqui parece verde… sendo precisamente aqui… neste imenso verde, que eu deixo muito das minhas ideias amadurecer!
Hoje resolvi-me a reavivar certas memorias… de tempos não muito distantes mas de saudades crescentes. Sim, as saudades não se alimentam exclusivamente do passado, por vezes sentimos saudades do presente… não sendo também de excluir esse mesmo sentimento para com o futuro… estamos tantas vezes tão distante de nós… do nosso passado, do nosso presente, viajamos tão longe e tão depressa, que é natural sentir saudades de algo vivido em realidades abstractas.
Porque será que o Sol tem imagem mais adorada, quando resolve-se a iluminar outras paragens?!! Porque será na despedida que Ele deixa-nos assim, cheios de vontade em manter a sua permanência?! Não deixa de parecer estranho que esse mesmo Sol, nos aqueça mais, precisamente no momento em que ele é menos quente… no momento em que parte…
Em cinco sentido podemos resumir esta estranha calamidade que ano após ano, lá prossegue a sua ritual busca pelo negro!


Um destes dias, estava eu de regresso a casa, escutando naquele momento a TSF, por breves segundos num daqueles «medleys» publicitário à musica portuguesa que naquela estação vai (muito e bem) passando, eis que surge uma musica que já não escutava à muito tempo.
Cantava Jorge Palma, «enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar…»
Uma simples frase, uma simples melodia para que no regresso casa, não mais desvia-se o pensamento daquelas palavras. E lá continuava eu a andar, a estrada lá se mantinha, era mais uma velha conhecida, sabia perfeitamente a rota ideal para não danificar a viatura, todavia, todos os dias, havia motivos para comprovar a não aprendizagem, aquela que supostamente o ser humano vai adquirindo com a vivência.
Apesar de tudo… enquanto houver estrada, eu vou continuar… seguindo meu caminho, sendo ele mais ou menos objectivo, mais ou menos pretendido, seja o do desejo ou do sacrifício… eu vou continuar, tenho que continuar. Pergunto-me então porquê?! Porque a estrada existe, e nela teremos que continuar, mas isso não é suficiente para nós humanos, continuamos porque, acima de tudo, há ventos e mar que persistem com a sua sedução cativar o interesse dos nossos olhares, dos nossos aromas, de todos os sentidos! Talvez seja isso que leva a não pararmos!
Mas que estranha esta contradição, que nos leva a não parar quando estamos menos conscientes da realidade… sim… porque o mar é assim mesmo, avistamos o horizonte, como que querendo abarcar tudo aquilo que a imensidão oceânica esconde… porque mesmo que o vento seja forte, forte o suficiente para nos obrigar a fechar os olhos, não será essa escuridão visual que nos fará parar… É nessa estranha sensação que reside a força da nossa existência, sentindo que no meio de tanto desconhecido, existe algo nosso, algo que só a mim diz respeito…
E assim eu penso…e assim eu sinto… pelo imenso mar adentro parto… sentido os ventos de todas as direcções… num horizonte interminável… de olhos fechados, vejo que o meu sentido, não é norte, não é sul, não é qualquer ponto cardinal… é apenas a liberdade de se sentir à deriva… e será essa liberdade, de mim próprio, que me vai ajudar que «ali» … está o meu Eu!
Enquanto houver ventos e mar… eu não vou parar, mesmo que para isso… em ventos eu vá mergulhar!